Já aqui tinha falado sobre Muda Francesa, indicado possíveis causas do seu aparecimento, e que provocava nos nossos periquitos. Depois de ter publicado esse artigo em 2004, o Fernando Curado enviou-me o texto que se segue por email, e além de definir os sintomas e possíveis causas da doença, aponta também possíveis soluções:

A muda francesa é uma doença vírica. O sintoma mais evidente é a perda das penas da cauda e das penas das asas (excepto as das guias) em periquitos jovens poucos dias ou semanas depois de saírem do ninho. Alguns periquitos chegam a perder toda a plumagem que lhes cobre o corpo. Outros só perdem algumas da cauda e/ou das asas, afectando desde logo a sua capacidade de voo.

O vírus responsável pela doença é um “polyomavirus”,  chamado”budgerigar fledgling disease virus” (BFDV). Ataca a aves pertencentes à família dos psitácideos (papagaios e demais bicos curvo, à qual pertence o periquito), mas também a passeriformes e aves de rapina. O contagio produz-se a través do pó das penas, o conteúdo do estômago e dos excrementos, bem como de mãe para filho.

O contágio de um periquito infectado ás suas crias é praticamente seguro, entre dois periquitos adultos bastante provável, embora neste caso não se evidencia o sintoma mais evidente, a perda das penas.

A doença apresenta duas formas, a crónica e a aguda. A aguda afecta as crias que ainda se encontram dentro do ninho, com idade de aproximadamente 20 dias. As crias sofrem de falta de apetite, não digerem a comida que têm no papo, sofrem diarreias, hemorragias visíveis através da pele, perda de peso, tremores e paralisias das extremidades. Em poucos dias morre entre 80 – 100 % das crias. Algumas não mostram sintomas antes de morrer.

Se as crias se infectam depois da sua segunda semana de vida ou tem anti-corpos iram sofrer da forma crónica: perdem as penas da cauda e/ou as das asas assim que as mesmas tenham acabado de lhes nascerem, depois voltam a crescer embora de forma mais lenta que em crias saudáveis bem como o desenvolvimento da restante plumagem o qual será mais lento. A margem de morte nesta forma da doença ronda os 20 % das crias. Uma vez adultos pode ser que a plumagem volte a nascer passado uma ou duas mudas mas não é de estranhar que o periquito fique sem as penas (da cauda e das asas) para o resto da sua vida. Em qualquer caso, será sem margem para dúvidas um portador do vírus que irá contagiar a outros periquitos e aves de outras espécies a doença. A doença em algumas outras espécies de psitacídeos e mais seria e pode levar à morte também de exemplares adultos.

Por vezes um periquito adulto se infecta normalmente não perde a plumagem (mas há casos que sim). O periquito parece saudável, normalmente o seu comportamento é normal,

Um periquito doente excreta o vírus com os seus excrementos, o conteúdo do estômago/bucho, o pó das penas… sobretudo em épocas de stress aumenta esta excreção. Por tanto, a época de criação é especialmente perigosa e um contágio as crias recém-nascidas é praticamente inevitável.

Muda Francesa – procedimento assim que se detectar a docença

A única forma de actuar perante a aparição desta doença em grandes grupos de periquitos é de interromper imediatamente a criação e só voltar a por ninhos só passados uns 5 a 6 meses. Neste período de tempo os periquitos infectados criam anti-corpos á doença que logo passará ás suas crias através do vitelo dos seus ovos, protegendo-os sobre todo da forma aguda. Mas mesmo assim ainda podem aparecer juvenis com a forma crónica, que perdem a sua plumagem. Na minha opinião esta solução não é a mais correcta pois acabaria por não erradicar a doença de uma vez por todas (mas era a que eu fazia, pois temos de dar a palma à palmatória, qual é o criador que se desfaz dos seus animais depois de lhe darem, trabalho é certo, mas muito prazer e alegria e histórias que irá sempre lembrar.

COMPLEXO-B-ZOONAs vezes pode aparecer um sintoma que eu julgo ser da “muda francesa”, que aconteceu com um periquito (macho) já adulto de um amigo meu, onde as pontas das asas, da cauda e das assas se não me falha a memória, começaram a “enrolar”. Após uma procura incessante para descobrir as causas, consequências e possível tratamento aplicamos o seguinte tratamento: aplicámos o AVI-MUDA (da Avipar, e seguimos as indicações normais de uso) e depois aplicámos COMPLEXO B ZOON (Vitaminas do Complexo B), para fortalecer o pássaro. Como a ave era adulta o resultado depois disto tudo foi: o pássaro perdeu as penas afectadas que depois voltaram a crescer, embora uma ou duas ainda tenham ficado um pouco enrolada na ponta, apesar disso está saudável e das criações que fez nenhumas das crias apareceu com esses sintomas.

Mas eu acho que o seu caso é diferente, e eu recomendo que separe as aves que apresentam os sintomas (mesmo que tenha de sacrificar crias novas) das que se apresentam saudáveis e comece um tratamento a TODOS os periquitos que possui com o “MOULD MASTER” da AVIZOON (Anti fúngico polivalente) Contra o desenvolvimento de fungos e bolores em geral (mesmo na germinação de sementes*), micoses externas e internas, demonstrando alguma eficácia na “muda francesa” dos periquitos.

* A dissolução do medicamento numa pequena quantidade de água que as sementes sejam capazes de absorver, para facilidade de cálculo sabe-se que a capacidade de absorção das sementes se situa em média nos 15% do seu próprio peso. Sendo assim a agua medicamentada segundo as doses recomendadas é colocada em contacto com as sementes à razão de 150ml por cada quilo de sementes, as sementes incham absorvendo a solução, seguidamente é aconselhável secá-las sem calor, bastando espalhá-las numa camada fina exposta ao ar. Depois de seca é dar-lhes essas sementes como é normal nos comedouros.

Desde já o meu muito obrigado ao Fernando por me ter enviado este artigo por e-mail.

Alberto Nunes

Alberto Nunes é um profissional de Informática interessado em pesca ao achigã, horta/jardim, Internet e blogging. Criou os interessespessoais.com como um projecto para os tempos livres, para divulgar algumas ideias e "matar" o vício de blogging.

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