Apesar de sempre ter existido criadores que criam com as suas aves continuamente ao longo do ano, isto não é pratica comum. Regra geral, a maioria dos criadores reconhece que a época de criação, tanto na Europa como nos Estados Unidos, se enquadra entre os meses de Novembro e finais de Maio.Vários factores, nenhum deles relacionado com um conhecimento científico do ciclo reprodutivo dos periquitos, têm influência na aceitação desta época de criação. Em primeiro lugar, ente esses vários factores, está a “tradição”. Grande parte do conhecimento acerca da manutenção e criação de periquitos deriva directamente da literatura inglesa, tendo estas práticas tradicionais apenas sido colocadas em causa no Reino Unido apenas muito recentemente.

O segundo factor relaciona-se com as datas de obtenção de anilhas. As anilhas da Sociedade Americana e da Sociedade Inglesa de Periquitos são oficialmente distribuídas no início no ano. O início da criação a partir de Novembro garante um bom número de aves jovens anilhadas, que estarão prontas para a próxima época de exposições.

Num passado ainda recente, muitos países europeus e os Estados Unidos começaram a entregar as anilhas em Novembro, correspondendo desta forma ao que pensam ser uma melhor adaptação da entrega das anilhas ao ciclo reprodutivo dos periquitos nesses países. Em Inglaterra e noutros países onde esta alteração não aconteceu, os criadores estão a alterar a sua forma de pensar, começando a formar casais assim que as aves se encontram e condições para tal, independentemente da época do ano em que se encontram, melhorando desta forma as possibilidades de criarem bons exemplares, que contrariamente ás datas de entrega das anilhas, é o seu objectivo diário.

Influências da época das exposições

O terceiro factor está relacionado com as épocas das exposições, que em Inglaterra começam em finais de Maio e terminam em finais de Novembro (sendo mais curta em Portugal, onde começam em fins de Agosto e terminam em Dezembro). Começando a criar no final do Outono, durante todo o Inverno, e terminando no inicio da Primavera, as melhores aves adultas estão assim prontas e disponíveis praticamente durante toda a época de exposições. No inicio da história deste hobby, as exposições de Inverno eram comuns, tendo até muita afluência.

Não se podendo esperar que as épocas das exposições possam mudar de forma dramática, será de esperar que cada vez menos sejam um factor que influencie a altura em que os criadores iniciam a sua época de criação. Os criadores de topo de periquitos estão tão interessados em criarem novas aves com qualidade e melhorar as suas linhagens, como estão em expor essas mesmas aves. Eles compreendem que ao criarem durante todo o ano, terão nos seus aviários aves em diferentes condições. Enquanto que algumas estarão na muda da pena, outras estarão em condições para criação e outras prontas para exposição. Não aderindo a uma época rígida “tradicionalmente” imposta, expondo os que estão em condições de exposição e criando com os que estão em boas condições para criar, é possível alcançar o melhor dos dois mundos.

Um último factor, que tem influência na época em que as aves são juntas para formar o casal, relaciona-se com as variações climáticas dos vários países ou regiões dos criadores. Muitos criadores acreditavam que ao colocarem as aves a criar durante períodos de muito calor ou de muita frio faria com que as mesmas ficassem sujeitas a um stress ambiental excessivo. Contudo, à medida que nos fomos tornando mais sofisticados nos nossos conhecimentos acerca dos efeitos da temperatura na criação, apercebemo-nos que os periquitos podem criar ao longo de um vasto intervalo de temperaturas. Actualmente, podem tolerar muito bem tanto o calor como o frio. Apenas quando existem variações muito bruscas de temperatura, como por exemplo muito calor de dia e muito frio de noite, que a criação é interrompida.

Após terem estes conhecimentos, os criadores começaram a agir contra as flutuações de temperatura, instalando unidades de ar condicionado, que conseguem manter uma temperatura constante dentro do aviário. Como resultado, as condições climatéricas começarem a ter pouca importância na influência das épocas de criação. Na verdade, com aviários equipados com estes sistemas, os factores climáticos exteriores influenciam tão pouco o ambiente interior do aviário, que a liberdade para criar continuamente durante todo o ano sem causar stress adicional ás aves aumentou de forma significativa.

Enquanto todas estas razões eram apontadas como influência da forma como criávamos periquitos durante os períodos de tempo que criávamos, não há dúvida de que estas mudanças, que estão actualmente em curso são um resultado directo da evolução e disseminação da nossa compreensão do comportamento e sistema reprodutivo dos Periquitos.

Durante anos, foi dada pouca atenção para o facto de que algumas das práticas que até então eram normais, pudessem ser a causa de problemas no aviário tais como uma elevada infertilidade ou baixo índice de nascimentos. À medida que isto foi observado com atenção, e como resultado de um crescente número de pesquisadores/observadores, e com a progressão da forma de pensar de alguns criadores de topo, começou a ocorrer uma subtil mas crescente viragem nas práticas de gestão. Isto é particularmente verdade no que toca ao reconhecimento dos ciclos de reprodução e condições para reprodução como os principais factores quando se juntam as aves para criação.

Resistência à mudança

Tal como em todas as mudanças, permanece sempre uma forte corrente de resistência às novas ideias e alguns criadores que se agarram à crença de que os periquitos são uma espécie que cria continuamente, que pode ser criada de acordo com a sua conveniência. Tudo o que necessitam para criar, acreditam, é de comida, água e um ninho. No entanto, os criadores mais experientes, reconhecem que isto não é de todo o que acontece. Nas populações de periquitos no habitat natural, existem ciclos férteis definidos. No sul da Austrália, a criação tem lugar na Primavera; no norte da Austrália criam durante o Inverno; no centro da Austrália criam durante a Primavera, o Verão e o Outono, não criando no Inverno. Pesquisas actuais com periquitos domésticos, confirmam que em cativeiro, também existem ciclos de fertilidade definidos.

Estes ciclos de produção activa de esperma e fertilidade foram identificados como:
– Inicio de Outubro até ao inicio de Novembro
– Novembro até meados de Fevereiro
– Inicio de Março até fins de Abril
– Inicio de Junho até meados de Setembro

Estes períodos de produção de esperma, tal como os períodos identificados como de não produção, são geridos por uma estrutura muito pequena do cérebro chamada “hypothalamus”. Durante períodos de infertilidade, os testículos do macho estão atrofiados e não produzem esperma. A produção de testosterona, que é responsável por características secundárias na reprodução, pára e, nas fêmeas, os ovários encolhem e tornam-se inactivos. Apenas quando o “hypothalamus”, que age como um centro de controlo, recebe mensagens específicas do ambiente e é estimulado a enviar informação (“peptides”), conhecidos como factores de abertura (“release factors”) para a glândula pituaria (“pituitary gland”). Esta glândula, após obter o feedback de que tudo está bem com os outros sistemas internos, reage à mensagem, libertando duas hormonas importantes, LH e FSH. São estas hormonas que estimulam os testículos e os ovários a crescerem, que por consequência acarreta alterações na orientação do comportamento sexual, bem como em características sexuais secundárias tais como a cor da cera ou a condição das penas.

Reconhecer quando é que os nossos periquitos estão num ciclo fértil activo, ou em condições de criação, nem sempre é uma tarefa fácil. Até o mais experiente dos criadores já juntou aves que falharam em ir para o ninho, por estarem “fora do ciclo”, ou que não fertilizaram os ovos. Na realidade, alguns estudos sugerem que cerca de 76% dos ovos que não são fecundados em cativeiro se deve a:

1 – Falha no acasalamento por incompatibilidade do casal
2 – Posição incorrecta dos órgãos genitais durante o acasalamento (posição incorrecta no poleiro)
3 – O macho ou a fêmea não se encontrarem no ciclo fértil

Por dificuldades (financeiras ou outras) em testar a fertilidade do sémen dos machos e em analisar os ovários das fêmeas, os criadores terão que se basear nas suas observações e conhecimentos sobre:

1 – Escolha dos machos
2 – Formação dos casais
3 – Comportamento das aves
4 – Mudanças das características sexuais secundárias

Artigo traduzido por Alberto Nunes (1ª versão – sujeita a alterações) de:
http://www.bestofbreeds.net/masterbreeder/chap2/chap2breeding1.htm

Alberto Nunes

Alberto Nunes é um profissional de Informática interessado em pesca ao achigã, horta/jardim, Internet e blogging. Criou os interessespessoais.com como um projecto para os tempos livres, para divulgar algumas ideias e "matar" o vício de blogging.

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